104 Eixo IV - As tecnologias digitais e as práticas pedagógicas inovadoras Coord.: Caroline Medeiros Martins de Almeida Explorando a Matemática através da Impressão 3D: potencialidades no estudo de geometria com materiais concretos Amanda Zanelato Colaço; Leonardo Rocha de Almeida; Nathaly Bianca Sell Piske. Instituto Federal Catarinense campus São Bento do Sul; amanda.colaco@ifc.edu.br, leonardo.almeida@ifc.edu.br, nathalysell.ifc@gmail.com METODOLOGIA O presente trabalho trata-se de uma pesquisa teórica de modelo bibliográfico, que buscou dar consistência aos referenciais teóricos necessários para construir e embasar discussões sobre o uso de impressoras 3D na produção de sólidos geométricos para utilização no estudo de conteúdos na área de matemática. Sendo, também, um processo de aprimoramento e atualização do conhecimento por meio de obras científicas já publicadas (SOUSA et al., 2021), permitindo conhecer melhor o fenômeno foco do estudo deste trabalho. Esse processo é essencial para identificar propostas acerca da produção do material concreto por Impressão 3D e suas consequências no estudo de conteúdos em matemática, observando, sobretudo, os potenciais e limitações já identificados. Afinal, tais conhecimentos são fundamentais para o desenvolvimento de propostas que promovam melhorias, de modo a fomentar e intensificar as potencialidades e colabor para a inovação pedagógica. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se perceber pelo aporte teórico que, ao colocar os estudantes em interação com objetos geométricos em materiais produzidos por Impressão 3D, tem-se a chance de desenvolver a autonomia durante a resolução das atividades propostas, estimulando a capacidade de realizar conjecturas matemáticas por si próprios ao observar as características dos objetos matemáticos. Inclusive, também pode transformar a perspectiva do discente sobre a construção e compreensão dos conceitos matemáticos, demonstrando que ele é capaz de desenvolver, com base em seus conhecimentos prévios, novas conclusões matemáticas utilizando os objetos produzidos. Esse reconhecimento pode ser fonte para despertar o interesse nas aulas de matemática, já que assim o aluno sentirá que faz parte da construção do seu conhecimento, deixando de ser um agente passivo no processo de aprendizagem. REFERÊNCIAS PAVANELLO, Regina Maria. O abandono do ensino da geometria no Brasil: causas e consequências. Zetetiké, v. 1, n. 1, 1993. ROGENSKI, Maria Lucia Cordeiro; PEDROSO, Sandra Mara Dias. O Ensino de Geometria na Educação Básica: realidade e possibilidades. Realidade e possibilidades. 2007. SOUSA, Angélica Silva de et al. A Pesquisa Bibliográfica: princípios e fundamentos. Cadernos Fucamp, v. 20, n. 43, p. 1-20, 19 fev. 2021. VAN DE WALLE, John A. Matemática no Ensino Fundamental: formação de professores e aplicação em sala de aula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. 584 p. A dificuldade em visualizar os conceitos geométricos se desenvolve desde o estudo de geometria na escola. De acordo com Rogenski e Pedroso (2007, p. 2), no que se refere à geometria espacial, os alunos apresentam dificuldade “com relação à visualização, conhecimentos básicos em geometria plana e nas relações existentes entre as formas”. Além disso, segundo os mesmos autores, quando os alunos se deparam com situações que envolvem área e volume tornam-se reféns de um processo de mecanização. Isso significa que a interpretação, ação essencial no processo de construção e aplicação de relações e conhecimentos, dificilmente é adotada pelos alunos devido à dependência de fórmulas e estruturas de respostas “prontas” que passam a criar. Essas características demonstram a necessidade de propor, constantemente, aos discentes situações problemas abstratas e cotidianas, que não tenham respostas padrões. Inclusive, Van de Walle (2009) indica isso ao definir que um problema é uma atividade em que o sujeito não possui uma regra pré-estabelecida, na qual não deve ser determinado um método único e “certo” para encontrar a solução. Instigar o aluno a sair da zona de conforto para construir a visualização do objeto matemático, buscando entender as relações existentes nele, é essencial para que além da aplicação matemática, se aprenda a nova matemática por meio desse processo (Van de Walle, 2009). Convém mencionar que a proposta de aplicar problemas matemáticos abstratos e cotidianos deve-se também a importância do estudante desenvolver a capacidade de abstrair conceitos e de fato saber utilizá-los, assim como a importância do professor de atuar como mediador no processo de aprendizagem. Quando isso ocorre, além de ser o responsável por demonstrar exemplos de quando e como são utilizados os conceitos geométricos na vida cotidiana, o docente passa a incentivar o desenvolvimento dessa perspectiva pelo aluno. Isto é, propõe indagações que desenvolvam o olhar crítico discente, e o levem a resgatar seus conhecimentos prévios para solucionar problemas de forma independente. INTRODUÇÃO Este trabalho tem por objetivo discutir perspectivas sobre o desenvolvimento de material didático em impressão 3D, em particular, sólidos geométricos em material concreto para a área de matemática. Uma vez que pode ser uma alternativa para auxiliar em intervenções pedagógicas em sala de aula, sobretudo, em atividades experimentais, em que o estudante precise realizar a manipulação e medição do material, o que exige resistência e precisão. Esse tipo de proposta também pode contribuir para a interpretação de conceitos matemáticos abstratos a partir do estímulo tátil e visual, pois conteúdos geométricos podem ser de difícil visualização para alguns estudantes. Tal perspectiva, inclusive, corrobora com Pavanello (1993), de que o ensino de geometria inicie, justamente, por meio de explorações intuitivas, que serão a base para estabelecer conhecimentos que irão permitir a exposição formal do conteúdo. Portanto, proporcionar ao aluno a oportunidade de compreender pelo material concreto um conceito abstrato, muitas vezes, apenas formalizado em palavras e/ou imagem, pode servir de estímulo propulsor para o estudante associar outras vivências acadêmicas ou profissionais no futuro que envolvam situações abstratas. Sendo assim, tem-se como questão norteadora: quais os pressupostos teóricos que podem fomentar a produção de material 3D para conteúdos da disciplina de matemática. Considerando, nessa perspectiva, que a utilização desse material têm o intuito de estimular a autonomia, possibilitando ao aluno realizar conexões entre o abstrato e o físico, assim como mostrar a relação entre a matemática e outras disciplinas, tal como a dificuldade que seria a interpretação de um mapa ou de um gráfico estatístico sem o uso da geometria. Tais casos, são exemplos de como o processo de ensino-aprendizagem de geometria pode ser o conhecimento base para o aprendizado de outras disciplinas ou também de conteúdos complementares. Inclusive, estudos utilizando o material concreto podem aprofundar e ampliar os conhecimentos estudados no Ensino Fundamental, tais como: a relação de Euler, as áreas de figuras geométricas, ângulos complementares e suplementares, e paralelismo e perpendicularismo. Aprofundar esses conceitos é também um meio de inserir as noções primitivas e abstratas da geometria, tal como o que é um ponto, e como a partir dele, é possível definir a reta, o plano e o espaço. Ou seja, o material concreto pode ser um caminho para inserir conceitos matemáticos abstratos, responsáveis pela origem e construção de outros. RESULTADOS E DISCUSSÃO Conceitos e representações geométricas estão presentes nas vivências cotidianas. Seja na forma e dimensão das embalagens de produtos do supermercado ou então na compra de artigos de construção, como a caixa de água que deverá armazenar água o suficiente para abastecer a residência de uma família. Infelizmente, esses exemplos práticos nem sempre são visualizados pelos estudantes com facilidade, até porque, alguns não são tão explícitos.
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