116 Eixo V - A Gestão Educacional: sua relação com indicadores e o trabalho pedagógico Coord.: Ana Cristina Ghisleni Formações Continuadas para Coordenadores Pedagógicos de Escolas de Educação Infantil em Porto Alegre: Uma Análise da Gestão Educacional Julia Scalco Pereira, Juliana Olders dos Santos, Krisley Pereira da Silva de Vargas Secretaria Municipal de Porto Alegre; infantil@smed.prefpoa.com.br METODOLOGIA A pesquisa configurou-se em um estudo de casos múltiplos, com abordagem qualitativa (MINAYO; DESLANDES; GOMES, 1993). Para o planejamento dos encontros formativos, foram realizados diagnóstico das necessidades formativas destes profissionais. A partir do interesse e das temáticas levantadas, foram organizados os seguintes encontros formativos: Pocket Encontros Pedagógicos; Bate-papo em Educação; Intercâmbios Pedagógicos, para que pudessem atender às necessidades identificadas dos coordenadores pedagógicos e contribuíssem para a qualificação das práticas pedagógicas nas escolas. Os Pocket Encontros Pedagógico foram encontros mensais, em pequenos grupos, para conversar com as coordenações sobre temas do cotidiano das escolas (exemplo: potencialidades do uso de materiais não-estruturados com as crianças). Os Bate-papos em Educação reuniam grupos de, aproximadamente, 60 participantes, para discutir práticas cotidianas dos coordenadores de forma significativa, através da reflexão do fazer pedagógico e das atribuições destes profissionais. Já nos Intercâmbios Pedagógicos cada escola elencou os principais elementos que identificavam o seu fazer com as crianças, mostrando espaços e materialidades mais significativas. Em todos os encontros, foi utilizada uma abordagem colaborativa para que pudessem compartilhar suas práticas, em conjunto com demais coordenadores pedagógicos, através das rodas de conversa, inclusive com visitas in loco em algumas situações. As rodas de conversa têm sido utilizadas como uma técnica em pesquisa qualitativa, pois, segundo Pinheiro (2020) ela pode facilitar a troca de ideias e a construção coletiva do conhecimento. Isso significa que as rodas de conversa oferecem uma oportunidade para os coordenadores pedagógicos compartilharem experiências, discutirem desafios e construírem coletivamente conhecimentos que possam ser aplicados em suas práticas diárias. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa perspectiva, a formação continuada de coordenadores teve como base a interação entre os sujeitos, onde foi favorecido a troca de experiências, buscando a socialização de práticas inspiradoras, levantamento de ideias e sugestões, qualificando as ações pedagógicas. As formações continuadas oferecidas aos coordenadores pedagógicos desempenharam um papel significativo na gestão educacional e no trabalho pedagógico nas escolas de Educação Infantil. Os encontros proporcionam oportunidades de reflexão, troca de experiências e atualização profissional, contribuindo para o desenvolvimento de práticas mais significativas. REFERÊNCIAS GONZALEZ-MENA, Janet. Fundamentos da Educação Infantil: Ensinando crianças em uma sociedade diversificada. Porto Alegre: Penso, 2015. MINAYO, Maria Cecília de Souza; DESLANDES, Suely Ferreira; GOMES, Romeu. Pesquisa social: Teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1993. PINAZZA, Mônica Appezzato. Desenvolvimento profissional em contexto: estudo de condições de formação e mudança. In: KISHIMOTO, Tizuko Morchida; OLIVEIRAFORMOSINHO, Júlia. Em busca da pedagogia da infância: Pertencer e participar. Porto Alegre: Penso, 2013, pp. 54-84. PINHEIRO, Leandro Rogério. Rodas de conversa e pesquisa: reflexões de uma abordagem etnográfica. Pro-Posições. Campinas, SP. V. 31. e20190041. 2020. RESULTADOS E DISCUSSÃO A escola como espaço social, necessita cada vez mais um olhar sensível e diversificado, que seja capaz de acolher os sujeitos que ali estão, favorecer o intercâmbio entre as diferentes culturas e, acima de tudo proporcionar o pleno desenvolvimento de suas potencialidades. Nesse sentido, a gestão necessita adotar uma posição mediadora entre os espaços, as materialidades, os tempos, as concepções e fazeres dos profissionais (GONZALEZ-MENA, 2015). Enquanto secretaria de educação, compreendemos que as coordenações pedagógicas são fundamentais para o engajamento dos educadores, sendo fonte de inspiração e engajamento, além de proporcionar-lhes condições para que superem os obstáculos. O desenvolvimento profissional em contexto se mostra como um caminho possível, em que os gestores refletem sobre os seus desafios, fazem interlocuções entre as concepções em voga e a sua realidade, multiplicando essas reflexões com seus pares nas escolas (PINAZZA, 2013). Ao longo das décadas, as pessoas vêm ressignificando o espaço que o trabalho ocupa em suas vidas e, consequentemente, o valor que a ele atribuem. É neste espaço que o papel do coordenador, como líder e mediador, assume fundamental importância. Proporcionar experiências que apoiem o crescimento do grupo, dando suporte e meios para o empoderamento, são ferramentas que contribuem para uma equipe criativa e comprometida. Assim, nosso propósito enquanto Mantenedora foi proporcionar encontros reflexivos entre as coordenações a fim de permitir as trocas entre os diferentes grupos e realidades. Compreendemos as particularidades de cada escola e, pensando sob este viés, organizamos estes encontros a partir de temas sugeridos pelas próprias coordenadoras, com o olhar aos seus contextos educativos cotidianos. Estes encontros tiveram como objetivos, além dos já citados, apoiar e criar condições para que as pessoas experimentassem novas formas de tomar decisões. As relações baseadas na confiança, no respeito, na empatia e no senso de pertencimento também foram trabalhadas, mencionando a busca pela sensibilidade ao apontar as demandas e apoiar nos momentos difíceis. INTRODUÇÃO A gestão educacional exerce uma função importante na qualidade da educação, influenciando diretamente os indicadores educacionais e o trabalho pedagógico nas escolas, especialmente na Educação Infantil. Nesse contexto, os coordenadores pedagógicos têm um lugar de destaque, atuando como articuladores entre a equipe docente, a gestão escolar e os demais profissionais envolvidos no processo educativo, multiplicando saberes alinhados às concepções de Educação Infantil vigentes. Diante disso, é essencial que os coordenadores recebam formações continuadas adequadas. O presente trabalho resultou dos encontros de formação continuada realizados com os Coordenadores Pedagógicos das escolas comunitárias de Porto Alegre, fazendo parte das ações desenvolvidas pela Unidade de Educação Infantil da Rede Municipal de Porto Alegre. Diante das ações promovidas até o início de 2022, percebeu-se a necessidade de desenvolver encontros em novos formatos, buscando maior proximidade com os coordenadores e suas escolas, contribuindo para o aprimoramento de suas práticas. Entre os formatos de encontros propostos destacaram-se os Bate-Papos em Educação, Pocket Encontros Pedagógicos e Intercâmbios Pedagógicos, que proporcionam um espaço de diálogo e reflexão sobre temas relevantes para a gestão educacional e o fazer pedagógico. Os objetivos do presente trabalho são: ofertar encontros de Formação Continuada, adequados às necessidades dos Coordenadores Pedagógicos das escolas da Rede Municipal de Porto Alegre; investigar e discutir as práticas pedagógicas adotadas nas escolas de Educação Infantil; refletir sobre o cotidiano escolar e suas implicações para a gestão educacional e o trabalho pedagógico. Ao trazer para o debate a importância das formações continuadas contextualizadas às necessidades das diferentes trajetórias das coordenações pedagógicas, esperamos contribuir para o fortalecimento da gestão educacional e para a promoção de uma educação de qualidade nas escolas da rede municipal de Porto Alegre. Da mesma forma, compreendemos que a prática apresentada pode servir de inspiração para outras redes. Palavras-Chave: Gestão Educacional; Formação; Coordenação Pedagógica; Educação Infantil.
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