VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

118 Eixo V - A Gestão Educacional: sua relação com indicadores e o trabalho pedagógico Coord.: Ana Cristina Ghisleni Inovação pedagógica na educação básica: compreensões a partir dos diferentes protagonismos em uma escola da rede jesuíta de educação Mariangela Oliveira Lago Rosier1; Ana Cristina Ghisleni2 1. Colégio Antônio Vieira; mariangela.rosier@cav-ba.asav.org.br 2. Universidade do Vale do Rio dos Sinos; ACGHISLENI@unisinos.br METODOLOGIA O trabalho de pesquisa investigou a inovação pedagógica na Educação Básica, os pressupostos que contribuem para sua concretização, as compreensões e possibilidades a partir dos diferentes protagonistas, autores e atores do processo educativo. A pesquisa intencionou emergir no contexto da escola investigada e, para tanto, elege frentes pedagógicas que norteiam as escolhas e intencionalidades educacionais: as construções curriculares, as dimensões do ensinar e do aprender e as práticas pedagógicas. O percurso metodológico buscou compreender o processo de ensino e aprendizagem e desvendar a inovação pedagógica a partir da análise de documentos legislatórios e institucionais eleitos e da interpretação, através da análise textual discursiva, das narrativas de alguns dos protagonistas da comunidade educativa estudada, a partir da aplicação dos questionários eletrônicos. No caso do Colégio Antônio Vieira, campo empírico desta investigação, foram eleitos alunos e professores do 6º ano e do 7º ano do Ensino Fundamental e gestores de diferentes séries. Os dados foram organizados em cinco categorias de análise: compreensões da inovação pedagógica; compreensões dos diferentes protagonismos na inovação pedagógica; tensões nas/para as práticas inovadoras; experiências inovadoras potentes e aprendizagens geradas; ampliação do olhar investigativo – articulação dos dados qualitativos e quantitativos. O uso do software NVIVO aprofundou a leitura analítica dos dados qualitativos e gerou novos códigos, aqui denominados de elementos indicadores das práticas inovadoras. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS As análises permitiram concluir que há, na escola investigada, uma cultura de inovação educativa, com investimentos robustos no processo formativo dos educadores, nas ações curriculares e nos ambientes de aprendizagem à luz dos princípios norteadores da educação jesuíta e do diálogo com a contemporaneidade; que os atores pedagógicos (alunos, professores e gestores) atuam como protagonistas das práticas pedagógicas inovadoras e que é importante alargar a compreensão dos pressupostos que ancoram os movimentos de inovação com vistas à concretização de um processo sistêmico, potencializando as mudanças paradigmáticas e superando, assim, a perspectiva de ações inovadoras pontuais. Essas reflexões redundaram no plano de intervenção aqui denominado de Mapa da Inovação, que intenciona apoiar a escola na qualificação do projeto político-pedagógico, com vistas a avançar nas estratégias formativas reflexivas e na ampliação das práticas inovadoras. REFERÊNCIAS 1.CUNHA, Maria Isabel. Prática Pedagógica e Inovação: experiências em foco. In: MELLO, Elena Maria Billig et al. (org.). Seminário Inovação Pedagógica: repensando estratégias de formação acadêmico-profissional em diálogo entre Educação Básica e Educação Superior. Uruguaiana: Unipampa, 2018. p. 12-17. 2.CUNHA, Maria Isabel; WAGNER, Flávia. Oito assertivas de inovação pedagógica na educação superior. Em Aberto, Brasília, v. 32, n. 106, p. 27-41, set/dez. 2019. RESULTADOS E DISCUSSÃO A leitura analítica dos dados permitiu aprofundar o olhar numa perspectiva mais ampliada, a fim de reconhecer os avanços em relação à inovação pedagógica, bem como as possíveis tensões e fragilidades para futuras intervenções, como ações de melhoria. Ao questionar alunos, docentes e gestores sobre sua atuação e protagonismo, ficou evidente que há uma significância da atuação de cada um deles no processo educativo, com destaque para as interações, atitudes de colaboração, cooperação e parceria entre os atores. A leitura analítica de todos os questionários permitiu observar ênfases nas manifestações dos sujeitos da pesquisa, tanto dentro de cada grupo como entre eles: alunos, professores e gestores. As marcações destacadas nas respostas revelaram elementos de interseção e respostas convergentes, originando códigos (nós). A análise comparativa desses códigos permite seguir mapeando as referências feitas pelos grupos participantes da pesquisa. INTRODUÇÃO Durante séculos, as escolas se constituem como instituições sólidas, sustentadas pelo conservadorismo de paradigmas e concepções clássicas, tradicionalmente reconhecidas por atenderem de forma consistente à formação intelectual de crianças e jovens. É urgente a necessidade da escola se redescobrir, se reinventar e repensar suas crenças, verdades e soluções para os problemas enfrentados e ir de encontro ao modelo hegemônico posto e imposto ao longo de tantos anos. É dessa abordagem temática que esta pesquisa trouxe para investigação a seguinte questão problematizadora: como se constituem as práticas pedagógicas inovadoras a partir da perspectiva de diferentes protagonismos escolares, considerando as especificidades da escola investigada? Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a constituição das práticas pedagógicas inovadoras em uma escola da Rede Jesuíta de Educação a partir da atuação de diferentes protagonismos institucionais no processo educacional, considerando as especificidades da escola investigada. Segundo Cunha (2018, p. 12), Palavras-chave: inovação pedagógica; protagonismos; práticas pedagógicas; gestão educacional. Tabela 1 - Comparativo da frequência dos códigos nas falas dos alunos, gestores e professores. Fonte: elaborada pela autora (2023). Figura 2 - Elementos fundantes na compreensão da inovação pedagógica no CAV. Fonte: elaborada pela autora (2023). CÓDIGOS (nós) Respostas ALUNOS Respostas GESTORES Respostas DOCENTES TOTAL Ambiente 27,78% 33,33% 38,89% 100% Aprendizagem 8% 66,67% 25,33% 100% Interação 27,27% 36,36% 36,36% 100% Interdisciplinaridade 0% 37,5% 62,5% 100% Linguagens 20% 60% 20% 100% Metodologias 0% 76% 24% 100% Planejamento 0% 27,27% 72,73% 100% Protagonismo 0% 60% 40% 100% Tecnologias 9,68% 67,74% 22,58% 100% Os códigos aprendizagem, linguagens, metodologias, protagonismo e tecnologias são bastante evidenciados pelos gestores; os códigos interdisciplinaridade, planejamento e protagonismo são destaques nas reflexões dos professores e os códigos ambiente e interação foram recorrentes nas falas dos alunos. Cunha (2018) aponta alguns indicadores e algumas assertivas para tratar da inovação pedagógica. As reflexões por ela sistematizadas iluminam e inspiram a leitura interpretativa e analítica dos dados levantados na pesquisa realizada com os protagonistas do processo educativo, na escola investigada, o Colégio Antônio Vieira. A figura intenciona, de forma ousada, reunir os nove códigos trazidos com ênfase nas manifestações dos atores pedagógicos, na tentativa de apontar nove elementos fundantes na compreensão da inovação pedagógica. As práticas inovadoras devem, portanto, configurar-se em experiências que tenham sentido e significado na aprendizagem das crianças e dos jovens e potencializem o desenvolvimento de todas as dimensões — intelectual, socioemocional e espiritual — de forma harmoniosa. Cunha e Wagner (2019, p. 29) sinalizam a relevância do processo de imersão no contexto, reconhecendo os princípios e valores que balizam todas as decisões e intencionalidades pedagógicas assumidas pela escola quando dizem que “[...] é preciso adjetivar a inovação, explicitando o conceito que ela assume em determinado contexto e a natureza dos avanços que pretende concretizar”. Incentivar o processo de inovações é agir contra um modelo político que impõe, não raras vezes, a homogeneização como paradigma. O homem é por natureza inventivo e carrega a possibilidade da contradição. Sua capacidade inventiva é inesgotável e a possibilidade de uma energia emancipatória está sempre presente na educação.

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