VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

127 Eixo VI - Diversidades, inclusão e diálogo com a sociedade Coord.: Viviane Weschenfelder Educação Inclusiva: O uso da tecnologia de forma multidisciplinar na cidade de Porto Alegre Me. Laura de Andrade, Me. Felipe Oliveira, Dr. Diogo Siqueira Luiz ABESS: Associação Brasileira de Educação, Saúde e Assistência Social – laura@abess.org.br – diogo@abess.org.br METODOLOGIA A pesquisa tem abordagem qualitativa, de nível exploratório. Segundo Creswell (2007), a pesquisa qualitativa cruza as informações obtidas dos participantes com a teoria estudada. Os procedimentos metodológicos estão sendo empregados no desenvolvimento do PAMI no Programa Incluir Mais Poa nas 99 Escolas de Porto Alegre, divididos nas 4 Regiões do Município (Norte, Sul, Leste e Oeste). A atuação do PAMI foi organizada pela autora realizando a apresentação para os 59 profissionais da equipe técnica: psicólogos, assistentes sociais, psicopedagogos e fonoaudiólogos. De forma itinerante os técnicos iniciaram o trabalho com os profissionais das Escolas, principalmente aqueles que atuam com os estudantes da educação inclusiva, professores e professoras da SIR - Sala de Integração e Recursos. Foi realizada análise documental de todos os 3394 estudantes da educação especial cadastrados no Censo Escolar do Município de Porto Alegre (INEP, 2023). Além disso, o Programa possui 357 Agentes de Educação Inclusiva - AEI, que possuem em suas atribuições o acompanhamento desses estudantes conforme suas especificidades. Os AEI participam de uma capacitação para atuação nas escolas. O Programa envolve as ações dos técnicos, incluindo as informações no aplicativo (PAMI), Figura 1. Isso resulta em monitoramento, acompanhamento e dados dos estudantes cadastrados no Programa. Os profissionais da Organização trabalham de forma integrada. O PAMI está na sua primeira fase em que são realizados os levantamentos de dados, informações, atendimentos, avaliações e testes realizados pelos profissionais. CONCLUSÃO A temática deste trabalho, educação inclusiva, é ampla e permite várias discussões e narrativas. No entanto, o estudo científico do Programa apresenta possibilidades, análises e fatos concretos. Estes abrangem diferentes temas culturais e históricos que se intersectam. Adicionalmente, proporciona oportunidades de pesquisa em várias áreas de atuação das organizações sociais e na gestão das políticas públicas de inclusão. A visibilidade desse trabalho recém iniciado e o campo de estudo é vasto para a concretude das soluções para esse público. Como argumenta Mantoan (2006), a inclusão perpassa a arquitetura, o lazer, a educação e a cultura de uma sociedade e precisa, na medida em que trabalha a identidade do sujeito e a diversidade dos corpos, extrapolar os limites impostos pelos muros da escola. Será necessário demonstrar ao longo dos próximos anos os resultados alcançados no desenvolvimento dos estudantes de forma única e singular, denotando marco na educação inclusiva de. O modelo multidisciplinar e integrativo nas diferentes áreas de necessidades dos estudantes atípicos acompanhado com o trabalho colaborativo entre o governo municipal e OSC dependerá de todos e cada um dos envolvidos com esses estudantes. REFERÊNCIAS BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo da Educação Básica 2022: notas estatísticas. Brasília, DF: Inep, 2023 CRESWELL, John W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto; tradução Luciana de Oliveira da Rocha – 2ed – Porto Alegre: Artmed,. 2007. MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? Revista CEJ, Brasília, n. 26, p. 3644, 2004. SANFELICE, J. L. (2012). Inclusão educacional no Brasil: limites e possibilidades. Revista De Educação PUC-Campinas, (21) RESULTADOS E DISCUSSÃO O PAMI no Programa Incluir Mais Poa, traz possibilidades de avanço com o acompanhamento de ações colaborativas e planejadas com todos os envolvidos nesse processo. As ações multidisciplinares com diferentes profissionais da rede municipal e de profissionais da área da saúde, da educação, da psicologia e da assistência social, que juntos trabalham no desenvolvimento desses estudantes com ações concretas registradas, com indicadores de qualidade que subsidiam profissionais, professores e famílias na construção da autonomia e identidade desses estudantes. O acompanhamento através do levantamento dos dados também é realizado pela equipe de Coordenadores do Programa que atuam na qualificação dos dados junto aos técnicos e também diretamente nas Escolas onde cada Coordenador atua em uma Região, acompanhando todo o trabalho para a melhoria e implementação de novos processos que qualifiquem a atuação de todos os envolvidos. Os resultados, embora iniciais, já indicam um aumento significativo de atendimentos e intervenções, melhorando a qualidade do contato com os alunos da educação especial, uma vez que são baseados em levantamentos de dados, diagnósticos e análises documentais, conforme dados apresentados na tabela 1. A tabela 1, representa o trabalho realizado pela equipe técnica que atua nas Escolas. As intervenções da equipe iniciaram em janeiro de 2024 e já contam com o registro de todos os estudantes público da educação especial. Nesta senda, as 7627 intervenções representam uma média de 138 movimentos por dia, distribuídos por todo o município de Porto Alegre. As intervenções são caracterizadas por acompanhamentos familiares e formações pedagógicas. Incluem observações in loco, grupos focais, triagens especializadas e assessorias ao SIR. Também envolvem buscas ativas, garantia de benefícios e elaboração de pareceres. Todos os trabalhos realizados tem foco na promoção da inclusão escolar e social. INTRODUÇÃO O debate sobre a questão das políticas públicas de inclusão escolar passa, necessariamente, pela reflexão sobre quais estratégias adotar. E trabalhar com a inclusão no Brasil é sempre um desafio (SANFELICE, 2012). No cerne da problemática sobre a Inclusão, a Secretaria de Educação de Porto Alegre, em parceria com a Organização da Sociedade Civil (OSC), implementou o Programa Incluir Mais Poa. O programa visa melhorar o atendimento aos estudantes da educação inclusiva em 99 escolas municipais, através da colaboração de profissionais de diferentes áreas, com o objetivo de desenvolver e promover a autonomia dos estudantes. Segundo o censo escolar (INEP, 2023), as 99 escolas municipais contam com 3394 estudantes vinculados ao Atendimento Educacional Especializado (AEE). A ABESS (Associação Brasileira de Educação, Saúde e Assistência Social) começou a utilizar como ferramenta o seu Programa de Atendimento Multidisciplinar Integrativo – PAMI, que tem por objetivo atuar dentro do Programa Incluir Mais Poa com estratégias multidisciplinares. Entendemos que a inclusão deve partir do pressuposto de que cada estudante é singular em suas especificidades e que o trabalho deverá ser de forma integrada: Educação, Saúde, Assistência Social e Familiar. O PAMI se trata de um aplicativo que traz o acompanhamento multidisciplinar do trabalho realizado pela equipe da OSC em tempo real e possibilita um conjunto de informações para avançar no planejamento das ações para o estudante. A consonância entre ABESS e SMED resultou numa proposta para inclusão escolar no município. Isso levou à inserção de 357 Agentes de Educação Inclusiva e 59 profissionais de nível superior. Estes últimos vêm das áreas de Psicologia, Psicopedagogia, Serviço Social e Fonoaudiologia no programa. A literatura destaca a importância de estratégias e serviços que promovam a inclusão na educação, abrangendo aspectos cognitivos, emocionais, mentais, relacionais e familiares dos estudantes (MANTOAN, 2004). Os desafios enfrentados pelos municípios vão além do âmbito educacional, exigindo uma abordagem multidisciplinar que envolva profissionais de saúde, assistência social e psicologia. A escola é percebida como um ambiente seguro e indispensável para a interação comunitária de todos os alunos, independentemente de suas particularidades. Essa abordagem busca uma mudança paradigmática que beneficie a todos no contexto social, cultural e pedagógico. A parceria com o Programa Incluir Mais Poa pode ser uma estratégia crucial para atender a crescente demanda de estudantes com necessidades especiais nas Escolas Municipais de Porto Alegre. Muitos desses estudantes talvez não tenham sido diagnosticados até agora, o que amplifica ainda mais o desafio. Infelizmente, algumas iniciativas de inclusão têm sido interrompidas, tornando necessário um acompanhamento metodológico contínuo. Parcerias com Organizações da Sociedade Civil podem garantir a continuidade desses programas, pois focam em atender metas estabelecidas em conjunto. A transparência e a coordenação entre diferentes órgãos governamentais são essenciais para assegurar o sucesso e a continuidade dessas políticas públicas através da colaboração. Tabela 1 – Resultado dos dados do PAMI Fonte: pamiapp.com.br (2023). Figura 1 – PAMI Cadastros Fonte: PAMI (2023). Região Quantidade de estudantes com intervenções Estudantes sem intervenção Total de intervenções por Região Região norte 1036 60 2916 Região sul 526 189 1249 Região leste 521 296 1415 Região oeste 876 360 2047 Total 2959 905 7627 Todas as informações foram extraídas do PAMI até a data do dia 25/03/2024. Média de Intervenções por dia de trabalho. 138

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