128 Eixo VI - Diversidades, inclusão e diálogo com a sociedade Coord.: Viviane Weschenfelder Formação Inicial e Continuada no Brasil: implicações na construção da identidade docente Marcos Rogério dos Santos Souza; Júlia Maria Marques Duarte; Universidade La Salle, PPGE; marcos.202010637@unilasalle.edu.br; julia.202110318@unilasalle.edu.br METODOLOGIA Para concepção deste estudo foi realizada uma pesquisa de revisão de literatura de cunho qualitativo descritivo, cujo intuito foi mostrar que as políticas públicas destinadas à formação de professoras/es estão relacionadas com a produção e a reprodução da vida material humana em sociedade, sendo constituídas pelas transformações socioeconômicas e políticas no período de 1500-1996. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS Sob o ponto de vista das formações continuadas, mesmo havendo um vasto período de suas execuções no Brasil, ainda hoje as/os professoras/es, bem como equipe pedagógica ainda não compreendem para o que servem as Formações Continuadas, descentralizam sua finalidade, para cumprir calendários. Salienta-se que, muitas vezes, são realizadas por profissionais que não são da educação, anulando as/os profissionais da educação enquanto sujeitos de saberes. Isto é, não escutam as pessoas que atuam diretamente junto as/aos estudantes, as pessoas que poderiam narrar sobre o que realmente precisa ser movimentado enquanto demanda na educação. Deste modo, por não haver a escuta das/os profissionais da educação, o que se produz são novas formas de normatizar, tanto professoras/es, quanto estudantes. Esses padrões, como mostra o estudo, há anos são produzidos e reproduzidos, impossibilitando a educação de ser libertadora, que como sabemos esteve e está a serviço da manutenção dos interesses culturais, econômicos, de gênero, sociais, religiosos e políticos, que alicerçam a sociedade brasileira. REFERÊNCIAS SAVIANI, Dermeval. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista brasileira de educação, v. 14, p. 143-155, 2009. COLLINS, Patrícia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução Rane Souza. 1ª ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2021 GONDRA, José Gonçalves. A emergência da Escola. São Paulo: Cortez Editora, 2018. GONDRA, José Gonçalves. Artes de Civilizar: medicina, higiene e educação na Corte Imperial. In: ANPUH - XXIII Simpósio Nacional de História. Londrina, 2005. CASTANHO, Sérgio. Educação e trabalho no Brasil colônia. Navegando pela História da Educação Brasileira. Campinas: HISTEDBR, 2006 GONDRA, José Gonçalves. A emergência da Escola. São Paulo: Cortez Editora, 2018. GONDRA, José Gonçalves. Artes de Civilizar: medicina, higiene e educação na Corte Imperial. In: ANPUH - XXIII Simpósio Nacional de História. Londrina, 2005. CASTANHO, Sérgio. Educação e trabalho no Brasil colônia. Navegando pela História da Educação Brasileira. Campinas: HISTEDBR, 2006 RESULTADOS E DISCUSSÃO Como evidenciado na construção e análise textual, compreende-se que a identidade docente foi atravessada por aspectos culturais, econômicos, de gênero, sociais, religiosos e políticos. Diante disso, é notório que a educação foi um espaço ocupado por quem as elites desejavam. Esse processo histórico, como mostra o estudo, fica marcado inicialmente, como a profissão docente sendo exercida sob o poder dos homens da igreja, acompanhando a produção de relações de poder sobre as/os consideradas/os “sem alma” ou “indignas/os” à educação. Nesse contexto, fica evidente que as mulheres, as/os negras/os não tinham oportunidades de acesso à educação, esses marcos simbólicos, tornam-se parte dos marcadores sociais e compõem as exclusões estruturais, que marcaram e ainda fixam âncoras na sociedade brasileira. Ainda nessa perspectiva, com o passar dos anos, a educação foi sendo articulada de outras maneiras e houve a permissão das mulheres entrarem na educação como docentes. Contudo, sendo submetidas a provas de saberes que refletiam a normatização da época. Logo, suas provas para o magistério estavam vinculadas a saberes que correspondiam ao que seria ser um exemplo de mulher para a sociedade. As provas dos homens também passavam pelos regulamentos do que é ser um exemplo de homem para a sociedade. As exclusões e normatizações eram constantes, haja vista que nem todas/os tinham acessos à educação, reforçando a ideia de que a educação estava para as pessoas que compunham as elites. • INTRODUÇÃO Com vistas a analisar os alicerces que sustentaram e que ainda sustentam a formação inicial e continuada das/os profissionais da educação no Brasil e as relações de classe, raça, gênero e sexualidade na sociedade, na cultura e na educação brasileira. Lança-se olhares sobre as continuidades e as descontinuidades no processo de ocupação do território brasileiro, que teve seu início com os portugueses impulsionados por meio dos dogmatismos das ordens religiosas que produziram seus saberes, os quais sustentaram, antes de tudo, a formação inicial e continuada no Brasil. Desta maneira, quando se pensa em educação na atualidade, compreende-se que é uma reprodução do passado que outrora foi imposto as/aos brasileiras/os. À vista disso, numa tentativa de romper com essas e outras questões que atravessam a educação no Brasil é conveniente romper com as relações de poder que, muitas vezes, se atrelam as políticas públicas para a educação. Por isso, cabe questionar as políticas públicas sobre o acesso ou não aos direitos e ainda sobre as invisibilidades quanto às questões de raça, de classe, de gênero e de sexualidade. É preciso desconstruir os domínios estruturais sobre as/os historicamente excluídas/os da sociedade, de acordo com Collins e Bilge: “O domínio cultural do poder enfatiza a crescente importância das ideias e da cultura na organização das relações de poder.”. (Collins & Bilge, 2021, p.23). • Considera-se que, com o estabelecimento das legislações, é que teve-se olhares para as demais pessoas, as quais vinham sendo historicamente excluídas a gerações. Esses respaldos da lei permitiram os acessos e posteriormente, com as atualizações, a possibilidade de permanência e qualidade da educação. No entanto, se nota que a educação, mesmo demonstrando seus avanços sociais e tecnológicos, ainda produz poucos espaços de conhecimentos fomentados pela autonomia, já que corresponde a um ideal normatizado, ou seja, retoma os aspectos históricos estruturais de normatizações e exclusões.
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