VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

30 ANAIS DO VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS de Mavago, lá na província do Niassa ou no distrito de Meluco, lá na província de Cabo Delgado, tem formação semelhante com o do sul. Hoje os conteúdos de formação são similares, mas a forma de transmissão cai significativamente, por conta dos contextos de formação que são diferentes. O acesso aos ensinos primário e secundário são massivos, as pessoas vão em massa no Ensino Primário e é curioso observar que a maioria dos estudantes do Ensino Primário e até mesmo do Ensino Secundário são meninas. Mas, à medida que os anos vão passando, por causa daqueles fatores excludentes que eu mencionei, o número de meninas vai caindo, então continua sendo um número maior de rapazes a entrar no Ensino Superior. Mas, isso não significa, necessariamente, que sejam apenas estes fatores que eu acabei de mencionar que impedem que essas meninas ascendam ao Ensino Superior. Têm vários outros fatores e um deles é que, se a menina for admitida em uma universidade, seja de Maputo, seja da Beira, no Centro do país, seja de Nampula, Niassa ou Cabo Delgado, ela vai ter que se deslocar do seu local natural de vida, para aquele local onde se encontra a universidade e os pais não têm condições para poder arrendar uma casa, comprar o material escolar, nem para poder alimentar a sua menina que vai à escola e mesmo assim, ela é vista como sendo uma pessoa vulnerável a várias tentações. Por tudo isso, o mal começa logo no início do processo de ensino e os pais já visualizam, de forma negativa, que esta menina não vai conseguir continuar seus estudos. O número de meninas vai reduzindo à medida que vai chegando o momento de entrar na universidade, são consideradas incapazes, porque vão sofrer várias e várias tentações. Eu espero agora ter respondido às perguntas. ANA CRISTINA GHISLENI Perfeito, Júlio. Muito obrigada pelas suas contribuições que dialogam muito fortemente com muitos dos dilemas que são típicos da nossa sociedade brasileira no que diz respeito às desigualdades, no que diz respeito às exclusões e que vão se consolidando tanto no sistema educacional quanto nas questões profissionais, nas questões salariais. Pesquisas recentes têm demonstrado a permanência de muitas desigualdades que merecem e que precisam ser enfrentadas por meio de políticas públicas consistentes e também por meio de processos culturais e sociais que nos permitam avançar de maneira significativa nesses cenários. São questões muito inquietantes e que nos suscitam muitos dilemas e provocações no sentido de avançar-

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