VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

55 Unisinos Porto Alegre – 5 de abril de 2024 Evidentemente, Fabio, eu dei um salto na carreira porque eu fui privilegiado, apesar de eu ter feito mestrado e doutorado, sem bolsa e em serviço, em atividade, os tempos também eram outros. Então, há uma diferença que eu sinto quando eu era só professor da educação básica, quando eu passei para a educação superior e quando eu passei para a Educação Superior numa instituição federal. Há uma diferença, sim. Eu sei que hoje as exigências sobre o professor, sobre a professora, são muito maiores do que quando eu lecionei na Educação Básica em escola pública, escola privada. Muita coisa que era de secretaria passou para os professores. Eu não sei hoje qual seria a minha trajetória, se eu desse marcha a ré. Isso eu não sei, mas na minha trajetória é isso. Eu acho que eu fui me moldando pela responsividade das alunas e dos alunos. ANA CRISTINA GHISLENI Tudo bem, professor? Agora fiquei com o microfone, e vou aproveitar a deixa. Já te passo na sequência. Poderíamos ficar horas dissecando vários dos pontos provocados pelo senhor, professor, mas tem um ponto, quando o senhor falava de outras experiências, de outros países e da perspectiva do respeito à escola. A gente vive no Brasil, há uma perspectiva de disputa muito grande com relação à escola, no âmbito do privado, essa disputa se dá reduzindo as relações, a relações de mercado, se dá muito no âmbito da prestação de serviço, do que eu estou comprando e do serviço que eu quero de volta e no campo do público se dá numa perspectiva de desconfiança e de desqualificação do público. Queria discutir, queria ouvir o senhor um pouquinho sobre isso. Como superar essa perspectiva dessa disputa tão arraigada e dessa desconfiança muito grande com relação à escola. Como é que se pode buscar perspectivas de superação? Com relação a esse sentimento que se tem com relação à escola, à universidade, aos lugares do conhecimento sistematizado como o senhor mesmo caracterizou há pouco, professor. CARLOS ROBERTO JAMIL CURY Olha, Ghisleni, eu comecei dizendo de alguns pressupostos e dois pressupostos gerais aos quais eu me referi, têm a ver com a desigualdade, com a diversidade. Então, nós temos uma tradição da desigualdade muito grande. A nossa desigualdade é escabrosa, é escabrosa e a nossa diversidade é marcada pela discriminação. En-

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