VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

56 ANAIS DO VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS tão, numa sociedade em que você tem os bens materiais e os bens culturais, tão diversamente distribuídos você acaba, muitas vezes, aprofundando esses preconceitos, essas discriminações que a acompanham, essa dupla rede, a rede para os mais iguais e a rede para os menos iguais. A rede para os diversos reconhecidos e a rede para os diversos não reconhecidos. Volto ao pressuposto de que hoje nós somos um país muito avançado no ordenamento jurídico com relação à diversidade, talvez nós tenhamos um dos equipamentos, dentro do ordenamento jurídico, mais avançado com relação à diversidade. Tome o exemplo, das relações étnico-raciais, tome o exemplo dos quilombolas, da educação escolar indígena, da educação das pessoas em situação de deficiência, dos jovens e adultos, no campo e, mais recentemente, à luz dos direitos humanos, dos migrantes e dos apenados. Então, a nossa legislação é muito avançada. Eu me lembro quando nós fizemos, no Conselho, as diretrizes sobre Educação Escolar Indígena, obviamente, respeitando a educação indígena, que é outra coisa, nós tivemos no Conselho o acolhimento do representante do Ministério da Educação da França na Guiana Francesa e ele falou, “olha, esse documento é um documento para ser subscrito pela Unesco, porque ele é formidável. Eu vou levar para Guiana Francesa.” Do ponto de vista do avanço da diversidade o avanço é muito, muito grande. O mesmo não se dá com a questão da desigualdade, apesar dos esforços que houve do bolsa-família, do salário mínimo... a pobreza diminuiu, mas a desigualdade, não! A desigualdade continua profunda, embora a pobreza tenha diminuído. Nos últimos quatro anos a coisa ficou para trás, nós sabemos disso, e depois ainda tivemos a pandemia. Bom, o que acontece? Agora, respondendo então, diretamente a você. Ao fazer a defesa da diversidade sem a igualdade você corre o risco do tribalismo, você corre o risco de um identitarismo e com isso, ao invés de você corrigir a discriminação, você acaba, por uma via progressista, você acaba aprofundando, e isso vem acontecendo, por exemplo, nisto que você se referiu, então eu estou numa escola particular de boa qualidade, eu pago, mas eu como professor, tenho que fazer a avaliação e de repente eu faço uma avaliação daquele fulano que não estudou, que foi preguiçoso ou que não entregou, está fora da regra... “eu pago e tal”. Onde já se viu? E isso não é incomum. Isto é um exemplo não apenas do autoritarismo “você sabe com quem você está falando?” É também um aprofundamento desse identitarismo, a identidade sem a igualdade, ela fica baloiçando no ar, ela é perigosa. Por isso que eu faço sempre a articulação entre igualdade e diversidade. A diversidade precisa ser tutelada, mas

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