VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

67 Eixo I - Currículo, docência e políticas educacionais Coord.: Daianny Madalena Costa DESAFIOS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA PARA INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR Maria Janine Dalpiaz Reschke. FACCAT. mjanine@terra.com.br Maria Aparecida Marques da Rocha. UNISINOS. mamrocha@unisinos.br METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório. Como instrumento para coleta das informações utilizou-se entrevistas semiestruturadas, que tiveram que ser realizadas de forma remota, devido ao CORONAVÍRUS – 19. Os participantes estavam locados em 4 campis do IFRS: Bento Gonçalves, Alvorada, Canoas e Restinga, totalizando 11 professores. Foi critério para escolha desses sujeitos o fato de terem estudantes com deficiência matriculados nas suas disciplinas ou já terem tido em outros semestres. Foi aprovado pelo CEP da UNISINOS e pelo CEP do IFRS . A análise dos dados empíricos, buscamos em Moraes (1999) a referencialidade para a construção da análise e interpretação dos dados. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao analisarmos as estratégias de gestão utilizadas pelo IFRS para permanência e conclusão do estudante com deficiência, identificamos que há uma Política nacional, com diversas regulamentações, possui setores especializados para fazerem a mediação entre coordenação de curso, professores, estudantes e família. No entanto, a pesquisa apontou que um dos desafios é desenvolver propostas que possam sensibilizar e envolver os professores para que qualifiquem o trabalho docente. Outro desafio é propiciar espaços para que o professor seja ouvido e que ele realmente possa participar da construção dos processos pedagógicos, não simplesmente ser chamado para executar as tarefas pedagógicas, assim o seu trabalho docente se transforma em uma prática pedagógica. REFERÊNCIAS BRASIL. Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência.2007 FRANCO, M.A. Prática pedagógica e docência: um olhar a partir da epistemologia do conceito. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília: v. 97, n. 247, p. 534-551, set/dez. 2012. MORAES, Roque. Análise de conteúdo. Revista Educação. Porto Alegre, v.22, n.37, 1999, p.7-32 PRESSUPOSTOS TEÓRICOS Entendemos que uma política de inclusão deva oferecer possibilidades reais de investir em cada sujeito com deficiência. Isso requer ter plena e efetiva participação no processo de formação, o que se traduz pela garantia de acessibilidade aos espaços, a comunicação e também nas relações. Para isso, se faz necessário potencializar as aptidões individuais. É imprescindível que medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas nos ambientes acadêmico e social, respondendo a inclusão plena. (BRASIL, 2007). Portanto, essas concepções norteia a pesquisa. Adotando o conceito de que as práticas pedagógicas são práticas que se realizam para organizar/potencializar/interpretar as intencionalidades de um projeto educativo que é conduzido por um pensamento reflexivo (FRANCO, 2012). INTRODUÇÃO A inclusão de estudantes com deficiência na Educação Superior (ES) tem sido um desafio para a gestão das Instituições de Educação Superior (IES). O presente estudo é um recorte de uma pesquisa realizada por um Grupo de Pesquisa/ CNPq, sediado em universidade comunitária do Sul do Brasil. O problema de pesquisa: Quais são as estratégias de gestão utilizadas nas Instituições de Ensino Superior (IES) para permanência e conclusão de estudantes com deficiência? A partir dessa problemática buscou-se como objetivo geral analisar as estratégias de gestão utilizadas pelas IES para permanência e conclusão do estudante com deficiência, com a finalidade de identificar processos e práticas para a inclusão que qualifiquem a formação acadêmica. Elencamos alguns dos objetivos específicos relacionados a esse recorte da pesquisa: Identificar as ações de inclusão utilizados pela IES para a permanência e conclusão do estudante com deficiência;Mapear as ações utilizadas pela IES para a inclusão do estudante com deficiência: e Analisar, a partir dos professores, como ocorrem os processos e práticas de inclusão das IES para a permanência e conclusão de estudantes com deficiência. Palavras- Chave: Educação Superior. Docência. Estudante com deficiência. Práticas pedagógicas. Politicas de Inclusão RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados nos mostram que 70% dos participantes preocupavam-se com as atividades avaliativas que correspondiam ao tipo de deficiência que o aluno possuía. Infere-se a partir das narrativas dos professores que 80% não possuíam conhecimentos específicos com relação as deficiências que os alunos apresentavam e muitas vezes não sabiam como adequar o seu plano de ensino e suas práticas na aula ao próprio PEI (Plano Educacional Individualizado). Constatou-se que 65% dos professores relataram a “confusão” de compreensão do define ser um estudante com deficiência, daquele que apenas apresenta maiores dificuldades na aprendizagem. Nas narrativas de 100% dos professores ficou manifesto que são oferecidas formações continuadas sempre no início dos semestres, ou seja, duas vezes ao ano; 85% dos entrevistados ressaltam que o tema acessibilidade e inclusão dos estudantes com deficiência, não aparece como temas específicos; 90% dos professores dizem que, sentem a necessidade de formações com relação à inclusão em uma periodicidade contínua, na medida que os alunos ingressem nos cursos eles possam aprender sobre o tipo de deficiência que o aluno possui para organizar estratégias de ensino, buscar recursos pedagógicos. Ressaltam a importância de ter um acompanhamento formativo e permanente do NAPNE, não somente informativo. É necessário destacar que a realidade dos Campis é diferente, o campus da Restinga apresenta uma política de inclusão mais consolidada, um NAPNE mais articulado com os professores. Os Campis de Canoas, Alvorada e Bento Gonçalves, apresentam a política de inclusão em processo de implementação, o que podemos inferir, que esse fato explica a narrativa dos professores, onde expressam o reconhecimento da existência da Política de Inclusão, no entanto apontam as suas fragilidades e sua dificuldade de engajamento. Salienta-se que 50% dos professores entrevistados afirmam que a Instituição não está preparada para a Inclusão, não basta estar organizada de forma arquitetônica. É necessário preparar os professores e os estudantes para esse processo de inclusão. E por fim, 90% dos docentes afirmaram a necessidade de maior investimento de interpretes para acompanharem os alunos surdos.

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