VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

76 Eixo I - Currículo, docência e políticas educacionais Coord.: Daianny Madalena Costa O ACRÉSCIMO DAANÁLISE SEMIÓTICA NA BNCC: IMPACTOS NO CURRÍCULO E NO TRABALHO DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS Laura Remus-Moraes; Cátia de Azevedo Fronza UNISINOS; Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada. lauraremus@gmail.com; catiaaf@unisinos.br METODOLOGIA ❑Pesquisa qualitativa (CRESWELL, 2010); ❑Análise do documento BNCC (BRASIL, 2017) no que se refere à análise semiótica; ❑Realização de entrevista com uma professora do ensino fundamental de rede pública sobre o ensino de análise semiótica; ❑Transcrição e análise da entrevista com base nos pressupostos do Interacionismo Sciodiscursivo (BRONCKART, 1999, 2008). CONSIDERAÇÕES PARCIAIS ✓Os cursos de graduação em Letras não preparam os futuros professores para o trabalho com Análise Semiótica ✓Os cursos de formação continuada que abordem AS são fundamentais para que os professores de português sejam capazes de incluir o trabalho com AS em suas aulas. ✓A professora Eduardase mostra bastante insegura em relação à sua compreensão do que é Análise Semiótica (AS), mas demonstra compreender melhor o que é AS e demonstra maior segurança sobre seus conhecimentos acerca do assunto. ✓ REFERÊNCIAS ARAÚJO, D. L.; LOURENÇO, D. C. G. O eixo análise linguística/semiótica na BNCC: a natureza dos objetos de conhecimento transversais a todos os campos de atuação. Claraboia, Jacarezinho – PR, n. 17, p. 240 – 260, jan.- jun., 2022. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017, 396 p. BRONCKART, J. P. Atividade de linguagem, textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. São Paulo: EDUC, 1999. __________. O agir nos discursos: das concepções teóricas às concepções dos trabalhadores. Campinas, Mercado de Letras, 2008. CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. Porto Alegre: Artmed, 2010. DE OLIVEIRA, Rosane Reis. Análise Semiótica de Textos Literários com o Fim na Sala de Aula. Caderno Seminal, v. 37, n. 37, 2021. SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. 4ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1986. SANTOS MALFACINI, Ana Cristina. BNCC E SEMIÓTICA: UM DIÁLOGO MAIS QUE NECESSÁRIO. Caderno Seminal, v. 37, n. 37, 2021. DISCUSSÃO Araújo e Lourenço (2022): ▪ a semiótica é uma área pouco abordada nos cursos de formação docente. Malfacini (2021): • negligência da Semiótica nos currículos dos cursos de formação de professores pelo país; • é papel das universidades oferecer esse cabedal teórico ao professor. Contribuições da Semiótica ao ensino: • exame de livros didáticos; • propostas para ensino de interpretação e produção de textos,; • análise de imagens que compõem um livro; • estudo de discursos e práticas discursivas. Oliveira (2021): • tendência de o ensino de língua e Literatura resistir às contribuições de outras correntes teóricas mais modernas, como a semiótica, em razão da tradição do estudo do texto baseado na forma e nos aspectos estruturais. esforço inegável da Academia em capacitar os docentes a conquistar uma perspectiva didática em dimensões pragmáticas. ENTREVISTA – Profa. Eduarda ▪ Docente do ensino fundamEntrevista via Teams, em 29/09/2022. Atua em uma escola municipal na região metropolitana de Porto Alegre. ▪ A entrevista focou no entendimento da professora sobre análise semiótica e como é trabalhada em suas aulas de Português. INTRODUÇÃO A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (BRASIL, 2017) do Ensino Fundamental - anos iniciais e anos finais - foi homologada em 20 de dezembro de 2017, dialoga com documentos e orientações anteriores e procura atualizá-los no que tange às pesquisas recentes na área da Linguística. A concepção de linguagem enunciativo-discursiva assume a centralidade do texto como unidade de trabalho, de modo a relacionar os textos a seus contextos de produção. Esse documento norteador do ensino básico no Brasil estrutura o componente Língua Portuguesa em quatro práticas de linguagem: leitura, escrita, oralidade e análise linguística/semiótica. Nesta perspectiva, a análise linguística é tida como um eixo de aprendizagem acrescida à semiótica, uma novidade na BNCC, que concebe o texto em suas diversas manifestações. Discute-se aqui de que modo essa política educacional de inclusão da prática de linguagem análise semiótica no componente Língua Portuguesa impacta o currículo e o trabalho do professor de Português. Pesquisadora: Eduarda, de acordo com a BNCC, o eixo da análise linguística/semiótica “envolve os procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de análise e avaliação consciente, durante os processos de leitura e de produção dos textos (orais, escritos e multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos) e pela situação de produção, seja no que se refere aos estilos adotados nos textos, com forte impacto nos efeitos de sentido”. Considerando tal definição, o que você entende por trabalho com análise semiótica em sala de aula? Eduarda: Acho que passa pela compreensão global do texto né e de todos os termos da linguagem que passam a fazer algum sentido dentro daquela estrutura textual. Sei lá, por aí. Mas análise semiótica... por exemplo, as conjunções, quando se trabalha as conjunções, operadores argumentativos, a ideia que cada uma traz, seria isso? Pesquisadora: Como você acha que o trabalho com análise semiótica pode enriquecer as aulas de Língua Portuguesa? Eduarda: Sabe que agora com essa definição de semiose diferente, eu vou poder responder isso com mais tranquilidade. Eu acredito que assim, no momento em que o professor ele sabe do que ele está falando, ele também consegue colocar em prática. Porque quando se lê a BNCC e quando a gente pensa, eu acho que a gente coloca tudo num pacote só. Então posso achar que eu estou trabalhando o que eu queria trabalhar e não estou. Estou trocando farinha comum pela integral, achando que o efeito vai ser o mesmo. Porque quando planejamos, a gente precisa pensar quais são os ingredientes tu vai usar pra tu chegar naquele resultado esperado, mas se eu não conheço os ingredientes, como que eu vou fazer né? Meio complicado. Então eu acredito que o conhecimento e eu poder colocar isso em prática, vai trazer alguns resultados diferentes. Se eu for fazer diferente, vou ter resultados diferentes também né. Espera-se que sim né. Espera-se que não seja mais uma tentativa da BNCC de trazer mais um parâmetro para não se chegar a lugar nenhum. Mas tem, tá Laura, a gente sente que tem. E não só, e agora eu posso estar falando uma besteira grande, mas não só o trabalhar com os diferentes tipos de semiose, mas em diferentes espaços que também proporcionam outras visões. Por exemplo, uma leitura feita em sala de aula ela não tem o mesmo resultado que o trabalho que a gente faz em espaço aberto. Levamos essa turma numa praça, que tem num campo de futebol, num espaço aberto que tem a algumas quadras aqui no bairro, e aí levamos lá para que eles tivessem uma vivência diferente e levamos vários textos impressos e um texto do Patatiba Assaré e levamos um texto do Bráulio Bessa, tá, alguns textos variados assim. E eles já tinham visto esses textos em sala de aula e foi diferente o processo da compreensão de estarmos naquele espaço porque tem toda uma contextualização né. E eu acho que a visão que eles têm quando eles estão estudando da sala de aula. Estou errada em dizer que seria uma semiose também? A leitura do espaço?

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