VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO UNISINOS

79 Eixo I - Currículo, docência e políticas educacionais Coord.: Daianny Madalena Costa O que dizem assessores pedagógicos sobre o assessoramento Daianny Madalena Costa Unisinos, Programa de Pós-Graduação em Gestão Educacional – Mestrado Profissional, daiannymcosta@hotmail.com METODOLOGIA A presente pesquisa se aloca dentro da Linha 1 de “Políticas, Sistemas e Organizações Educacionais”, no PPG Gestão Educacional, Mestrado Profissional e tem uma abordagem qualitativa, ou seja, busca na realidade social a compreensão de determinado fenômeno, por meio “do dinamismo da vida individual e coletiva com toda a riqueza de significado dela transbordante” (Minayo, 2016, p. 14). Diante disso, lançou mãos do questionário – criado na plataforma Google Forms, nos últimos meses do ano de 2020, quando muitas gestões governavam o final do mandato 2027-2020. O instrumento foi enviado por e-mail, às trinta e quatro secretarias municipais de educação (SMEDs) da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). O questionário contava com um texto introdutório que explicava a pesquisa e solicitava a confirmação do termo de consentimento livre e esclarecido daqueles que voluntariamente se sentiam interessados em preenche-lo. Assim, vinte profissionais o fizeram. Aqui trataremos de divulgar e analisar as questões que tratam de perceber quem são os professores que ocupam a função de assessores pedagógicos nas SMEDs e como identificam as suas funções. A análise, portanto, baseou-se na compilação das questões e respostas sobre os propósitos elencados anteriormente, no diálogo com um referencial teórico sobre a temática. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como já referimos no percurso deste trabalho, a “irracionalidade” na implementação das políticas (Arroyo, 1979) assola a possibilidade de uma construção coletiva sobre o trabalho que as envolve. Isso se amplia nos tempos da disputa neoliberal, que de acordo com Dardot e Laval (2016) enfatizam que há um gerenciamento para a fabricação do sujeito neoliberal, que ao mesmo tempo responde ao auge da individuação-de-si sustentando a engrenagem. Produzir esse mecanismo - para que o sujeito neoliberal o mantenha, faz eco a “análise do pastorado”, (Dardot; Laval, 2016, p. 400) - daquele cumprimento de normas como mero “dever”. Isto evidenciado na preocupação com a “papelada”, nos jogos administrativos que não colaboram com as práticas pedagógicas coletivizadas e colaborativas. Por isso, o assessoramento pedagógico poderia dizer respeito a uma “contraconduta” como rompimento com o governo dos outros (Dardot; Laval, 2016) - que para os autores é uma possibilidade de colaboração – neste caso, entre a sede da SMED e suas escolas.. REFERÊNCIAS ARROYO, Miguel Gonzales. Administração da educação, poder e participação. Revista Educação & Sociedade. CEDES, jan. 1979. p. 36-46. DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. 1ª ed. São Paulo : Boitempo, 2016. FRANCO, Creso; ALVES, Fatima; BONAMINO, Alicia. Qualidade do ensino fundamental: políticas, suas possibilidades, seus limites. Educação & Sociedade, Campinas, v. 28, n. 100, p. 989-1014, out. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v28n100/a1728100.pdf>. Acesso em: 27 maio 2016. IMBERNON, Francesc. Asesorar o dirigir. El papel del asesor/a colaborativo en una formación permanente centrada en el profesorado y en el contexto. Madrid –España. REICE- Revista Electrónica Iberoamericana sobre Calidad, Eficacia y Cambio en Educación, 2007, Vol. 5, No. 1, p. 145-152. MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio da pesquisa social. IN: MINAYO, Maria Cecília de Souza; DESLANDES, Suely Ferreira; GOMES, Romeu. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis : Vozes, 2016. p. 09-28. SANTOS, Marcos Pereira dos. Historiando a supervisão educacional no Brasil . Educação em Revista, Marília, v. 13, n. 2, p. 25-36, Jul.-Dez., 2012. RESULTADOS E DISCUSSÃO Assessores pedagógicos são aqui entendidos como aquele grupo de profissionais que se encontram no interior da sede de uma SMED com a tarefa de responder junto a outros coletivos, pela trabalho articulado entre as políticas educacionais e as escolas Ou seja, à toda instituição escolar é atribuída um conjunto de fazeres, de necessidades de condições para que possa executá-las. Assim, há a intermediação desses profissionais para que possa se tornar viável muitos desses “deveres” educacionais. Tais membros podem ser chamados ainda de supervisores, de coordenadores, de apoios pedagógicos, mas sempre desenvolvendo suas funções nas sedes das secretarias, nunca nas escolas. Por se tratar da atuação na educação básica, numa esfera governamental-municipal, destacamos a formação, o apoio aos projetos institucionais e a implementação de políticas públicas como ações deste assessoramento. O grupo respondente participa das SMEDs de sete municípios da RMPA conforme o gráfico 1. Envolveu dezoito mulheres e dois homens, todos apresentando em comum uma carreira docente em redes públicas de educação. Dos respondentes, apenas um tem 4 anos na profissão. A grande parte, catorze assessores apresentam entre 7 e 20 anos de magistério. E quatro dos assessores têm experiência na docência entre 24 e 36 anos. Nesse sentido, de acordo com os dados coletados, é possível afirmar que a assessoria pedagógica pressupõe trabalhadores com uma certa “maturidade” profissional. Também é possível afirmar que a assessoria pedagógica é desenvolvida por pessoas que executaram suas atividades docentes na mesma rede de ensino. A questão 15 que indagava - como assessor pedagógico, sua função é (podes selecionar mais de uma alternativa), tinha como opções de escolha (ver Gráfico 2): organizar relatórios, fazer o levantamento de dados, responder a requisições, atender a comunidade do município, elaborar a formação continuada para os professores da rede, buscar solucionar os problemas materiais, estruturais das escolas, elaborar a formação de gestores das escolas da rede e outros de livre escolha que poderiam acrescentar. Diante das respostas, é perceptível a maior concentração em torno das alternativas que se referem ao preenchimento de relatórios e levantamento de dados, o que pode nos levar a identificar o trabalho do assessor pedagógico ainda numa perspectiva mais técnico-racional, ou seja, ligado a fazeres mais individuais e prescritivos, longe de uma discussão coletiva e dialógica que caberiam a assessores. A ideia de que há profissionais com um saber “maior” em detrimento de outros (Imbernon, 2007) parece existente. Vale lembrar que de acordo com Santos (2012), no Brasil, tal como aconteceu nos Estados Unidos da América, para o incremento do capitalismo industrial foi criada a figura do supervisor de fábrica, que cumpria a tarefa de assegurar a ampliação da produção. Do mesmo modo, esse modelo foi transferido à escola, em meados do século XX, fazendo surgiu no sistema escolar brasileiro, a figura da supervisão escolar como prática de controle, fiscalização e inspeção do trabalho docente para o cumprimento de uma educação comportamentalista (Franco; Alves; Bonamino, 2007). No gráfico 2, portanto, ainda é possível vermos elementos característicos de um fazer profissional mais relacionado à perspectiva do gerenciamento, pois parece mais relacionado à “papelada”, necessária para o sistema de ensino funcionar, ao invés da preocupação em torno de “solucionar os problemas...” enfrentados pela escola, selecionados como alternativa da função da assessoria, por seis profissionais. Isso, ao nosso ver, seria uma aproximação com aquela modalidade de assessoramento relacionada com um perfil colaborativo, dialógico e coletivizado. INTRODUÇÃO O presente trabalho se origina na pesquisa intitulada “Gestão educacional: influências políticoorganizativas e mobilizações do assessoramento pedagógico-colaborativo” a partir de um questionário (forms) enviado às secretarias municipais, de todas as cidades da região metropolitana de Porto Alegre. A devolução contou com 20 respondentes de sete municípios. O objetivo é reconhecer o que os assessores pedagógicos das secretarias de educação elencam como suas próprias atribuições de trabalho. Isto porque são profissionais que desenvolvem ações entre as secretarias de educação e as escolas municipais. A análise evidencia um conjunto de atividades de teor técnico-racional, com alargamentos para a efetivação de compromissos que levam em conta os propósitos, as dificuldades, os objetivos da escola . Gráfico 1 – Municípios que se encontram os participantes da pesquisa Fonte: Elaborado pela autora. Gráfico 2 – Atribuições reconhecidas pelos assessores pedagógicos Fonte: Elaborado pela autora. 18 19 13 14 6 14 14 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Organizar relatórios Fazer levantamento de dados Responder a requisições Atender a comunidade do município Buscar solucionar os problemas materiais,… Elaborar a formação continuada para os… Elaborar formação de gestores das escolas da rede O gerencialismo a que as políticas educacionais foram submetidas ao longo de sua trajetória dizem, contrariamente, mais de uma “irracionalidade” do que racionalidade (Arroyo, 1979). Isso, porque, parece não haver sentido querer modernizar o anacrônico sistema administrativo da educação escolar brasileira, desprendida da organização social do país. “A insistência em apresentar a racionalidade administrativa como necessidade "natural" ao bom funcionamento das instituições oculta a dimensão política de todo processo administrativo” (Arroyo, 1979, p. 39). Podemos com isso, inferir que a racionalidade técnica cumpre a irracional tarefa de dividir os papéis e as atribuições entre os profissionais da educação, muito mais do que efetivamente contribuir para as políticas que pretendem uma educação escolar de qualidade social para todos e todas.

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